sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
PROMOÇÃO do Site YAOI EXTREME: Ganhe o 1° vol. de Crimson Spell
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Só no Yaoi Extreme, eu ganho o mangá do Crimson Spell – http://yaoiextreme.com
quarta-feira, 17 de março de 2010
Participe da promoção e concorra ao livro "Pobre não tem sorte"
Acesse o site http://lindaeculta.blogspot.com/2010/03/imperdivel.html e concorra.
O sorteio é válido ate o dia 02/04 e o resultado será postado no site no dia 07/04. A sorteada (o) terá 3 dias para responder ou o livro será sorteado novamente.
Resenha sobre o livro, retirada do site onde ocorrerá o sorteio!
O livro conta a história de Mariana que muito em breve vai sair do condomínio simplório onde vive com os pais e a irmã-rebelde-sem-causa. Muito em breve ela estará morando no apartamento dos seus sonhos junto com Edu - seu futuro marido e gato cobiçado por dez entre dez garotas solteiras de Presidente Prudente.
Sim, ela será uma senhora casada, com muitos compromissos e afazeres para gerenciar, como por exemplo, organizar jantares, cardápios, manter seu mural de looks atualizado com todas as roupas que ela vai comprar em tardes alegres no shopping da cidade. Isso sem falar nos sapatos e bolsas que comprará nas inumeras viagens que fará ao lado do marido.
Isso tudo é tão empolgante que ela não vê a hora de entrar na igreja só para ver a cara que as invejosas de plantão farão quando a virem em seu vestido de noiva perfeito.
Mas até essa fase da sua vida chegar, ela precisa decidir se vai atender ao telefone e salvar uma amissíssima de um modelito nada a ver para um primeiro encontro, ou se assiste o filme ao lado de Edu comendo pipoca, tomando refri, dando beijinhos... ah! essas coisas tão triviais que namorados fazem quando vão ao cinema.
Ai! Que dúvida infernal!!!
"Toda garota do interior sonha em se casar com o cara de seus sonhos, ter uma casinha, filhos e ser feliz até que a morte os separe, certo? E se esse cara for lindo, rico, super fashion e divertido? E se tal casinha dos sonhos for um mega apartamentono melhor bairro da cidade? Uau! Mariana encontrou o cara perfeito e vai se casar com ele! E nada de casinha! Isso é coisa de gente que pensa pequeno. Mariana vai ter o apartamento dos sonhos que já vem incluso no pacote: case com um homem rico e vámorar em grande estilo. E quanto a filhos e ser feliz até que a morte os separe... Bem, ela ainda não pensou nesses detalhes."
sexta-feira, 5 de março de 2010
Podcast YAOI!
YAOI!
Quem estiver interessado em saber o que é, ou ouvir dois carinhas sofrendo nas mãos de 3 fãs de Yaoi? Ousa pois você não vai se arrepender.
Podcast de Yaoi, no Seu AFS Podcast.
O seu lugar para trocar sobre animes.
http://animefreakshow.com/
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Pandaneko Taisou
Panda Cat Gymnastics
Description: Anzu, Hiiragi & Koume image song
Performed by: Shindou Kei & Takagaki Ayahi & MAKO
Lyrics: Tadano Natsumi
Music composition: WATCHMAN
Music arrangement: WATCHMAN
New Feature! In kanji view, mouseover a kanji character for lookup information!
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
mawattari tomattari
hashittari shagandari
musundari hiraitari
tobikkiri warattari
"pappa pappa pappa pappa
pappa pappa chitchiki chiisai!
pappa pappa pappa pappa
pappa pappa eiei ookii!"
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
pappa pappa pandaneko
egao wa nikotto ne
hyoute wa hakushu ne
hyou me wa kiratto ne
onaka wa pukutto ne
pappa pappa daisuki na
pappa pappa otomodachi
pappa pappa donna toki mo
pappa pappa mikata da yo
shiranpuri chokotto ne
kanashii poozu sa
tsunaida ryoute o
yurashitemita nda yo
sono mama tsunaideitai na to omotta yo
"pappa pappa pappa pappa
pappa pappa chitchiki chiisai!
pappa pappa pappa pappa
pappa pappa eiei ookii!"
pappa pappa daisuki na
pappa pappa otomodachi
pappa pappa nakanaori
pappa pappa ureshii yo
pappa pappa pandaneko
pappa pappa arigatou
pappa pappa pandaneko
pappa pappa hoshi ni naru mata ashita
sábado, 2 de janeiro de 2010
Minha musica kawaii favorita!
Retirado do site
http://space-wave-maripop.blogspot.com/2009/03/oeyama-giant-swing.html
Oeyama Giant Swing
大江山ジャイアントスイング (Oeyama Giant Swing)
IOSYS 東方超都魔転 (IOSYS Touhou Just a Moment!)
Oeouie! Oeouie!
koishoubunara! (It's a game of love)
Bonbaiea! Bonbaiea!
kiki wa shinai sa! (ah ah ah!)
tsuki no ii yoru ni (Hey guys!)
iketeru MEN'S wo ( MEN'S NAKKO!)
kirumade nomasette STOMP AND DANCE
mukashi no hanashi sa~
Oeouie! Oeouie!
Sakatsuku susumu (It's a party night)
Bonbaiea! Bonbaiea!
manatsu no yoru ni (hey hey hey)
uchira no yama de wa (Hey honey!)
nori no ii yatsu wo (What's up?)
asa made rachitte ROCK AND SING
EVERYBODY GET DOWN NOW!
( GIANT SWING! GIANT SWING! )
Koi ni ochireba FURU BOKKO
( GIANT SWING! GIANT SWING! )
Hi ga ochireba Gong KA--N!
( GIANT SWING! GIANT SWING! )
omae wa mou atashi no mono
( GIANT SWING! GIANT SWING! )
gensokyo gachi no RINGSIDE
sanko to matazu ni
yuwasu mawasu
GIANT SWING!
Notícia da Ciência
Gosto de postar coisas que encontro na net e acho interesante, e não tive como pedir a permissão de quem lançou essa notícia, mas espero que entendam que não fui eu quem a escreveu.
Tirado do site http://www.ecologia.info/trepadeiras.htm
Ecologia das Trepadeiras
Francis E. Putz
Professor de Botânica
Universidade da Flórida, Gainesville
Estados Unidos da América
Nota. Esse artigo online é continuamente atualizado e revisado logo que
resultados de novas pesquisas científicas tornam-se disponíveis. Portanto, apresenta as últimas informações sobre os tópicos abordados.
As trepadeiras herbáceas e lenhosas, as últimas também conhecidas como lianas e cipós, sobem utilizando outras plantas como apoio. Esta característica de não ter apoio próprio permite que o caule das trepadeiras sejam estreitos, flexíveis e capazes de fenomenais taxas de crescimento em altura e comprimento. Há muito as trepadeiras atraem naturalistas e contadores de histórias, contudo, a despeito das contribuições de Darwin (1867) e de outros biólogos do século XIX ao seu estudo, apenas recentemente os ecologistas voltaram a atenção a este importante grupo de plantas. Embora ainda haja muito a aprender sobre este grupo de plantas, o qual foi deixado de lado durante muito tempo, a diversidade e a importância ecológica das trepadeiras agora são amplamente reconhecidas, graças aos esforços de pesquisadores em todo o mundo. No entanto, ainda há muitos aspectos da ecologia das trepadeiras que aguardam investigação. Veja a Foto 1 (Dilleniaceae lianas).
Evolução e Distribuição das Trepadeiras
O hábito de subir aparentemente evolui numerosas vezes no reino das plantas. Existem trepadeiras entre diversas taxonomias como samambaias (ex.: Lygodium), gimnospermas (ex.: Gnetum), várias linhagens de palmeiras (ex.: Calamus e Desmoncus) e outras monocotiledônias como as pandanáceas (ex.: Freycinetia). As famílias de plantas florescentes particularmente ricas em espécies trepadeiras incluem Bigononiaceae, Vitaceae, Leguminosae, Menispermaceae e Hippocrateaceae. Todas as espécies de alguns gêneros de trepadeiras (ex.: Serjania), distintamente de outras, incluem espécies de trepadeiras, arbustos e árvores (ex.: Bauhinia). Também existem numerosas espécies que crescem como trepadeiras quando apinhadas, porém são arbustos ou árvores sem apoio, caso não encontrem suportes mecânicos (ex.: espécies de Croton; Gallenmúller et al. 2001).
As trepadeiras são encontradas das florestas dos trópicos até as zonas boreais dos hemisférios norte e sul, bem como nos desertos e florestas tropicais úmidas. Entretanto, são mais diversas próximas ao equador (Gentry 1991). A abundância de trepadeiras geralmente aumenta com perturbações da floresta, mas também varia conforme outros fatores menos compreendidos. Na Bacia Amazônica, por exemplo, as trepadeiras lenhosas parecem ser mais abundantes nas florestas secas sazonais, mas isso pode ocorrer porque estas áreas estavam sujeitas a um maior número de intervenções humanas durante o período Pré-Colombiano, quando as populações ameríndias eram muito maiores do que hoje em dia. Na América do Norte, trepadeiras nativas (ex.: Vitis spp.) e espécies exóticas (ex.: Celastrus scandens, Dioscorea bulbifera e Pueraria lobata) podem ser extremamente abundantes, porém os fatores que promovem esta profusão não são claros. Durante a sucessão florestal, após a perturbação, as lianas tipicamente aumentam num primeiro momento e, em seguida, caem em abundância. No entanto, devido ao crescimento dos indivíduos que persistem, a biomassa de lianas tende a permanecer uma fração constante da biomassa total da floresta (Dewalt et al. 2000). Obviamente, também existem casos de trepadeiras que cobrem uma área tão completamente, que a sucessão fica impossibilitada por várias décadas (Foto 2).
Funcionamento das Trepadeiras
Embora as lianas penduradas na copa da floresta compreensivelmente chamem nossa atenção, a fase de regeneração de sua história de vida também merece uma consideração detalhada. A maioria das lianas regenera-se da semente ou como rebentos vegetativos das raízes ou caules caídos de indivíduos estabelecidos. As lianas criadas a partir de sementes geralmente passam despercebidas, mesmo por ecologistas experientes, porque têm apoio próprio e aparência de mudas de árvores. As pessoas com habilidade para reconhecer todas as espécies de árvores de uma floresta, uma tremenda tarefa em florestas tropicais diversas, geralmente pressupõem que as mudas não identificadas sejam lianas. Dadas as diferenças radicais na morfologia das folhas e caules entre as mudas e os indivíduos adultos da liana, bem como o fato de que até 30% das espécies de plantas lenhosas de uma floresta possam ser lianas, aprender a identificá-las é um grande desafio. As lianas começam a subir somente após suas mudas atingirem alturas para se manterem em pé, de 0,5 a 3 ou 4 metros. A maioria dos rebentos da raiz da liana também é inicialmente auto-sustentável e, portanto, há dificuldade em reconhecê-los como trepadeiras, sendo, portanto, um pouco mais fácil reconhecer as lianas que emergem de caules caídos. A propagação vegetativa é extremamente importante em muitas espécies de lianas, o que torna a contagem de “indivíduos” um verdadeiro desafio.
As trepadeiras herbáceas e as lianas apresentam uma grande diversidade de mecanismos para subir. Algumas espécies sobem com o auxílio de raízes adventícias que emergem dos caules, enquanto os caules de outras espécies se entrelaçam ao redor de seus suportes. Muitas espécies possuem estruturas especializadas para agarrar os suportes, às vezes chamados de órgãos de fixação ou “prehensile apparati.” O órgão de fixação mais conhecido é a gavinha, que apresenta vários tamanhos e, em termos evolucionários, deriva de várias estruturas. As gavinhas podem ser folhas, folhas novas, estípulas, inflorescências, ramos (ex.: Hippocrateaceae) ou caules (ex.: Omphalea nos neotrópicos e várias Leguminosae nos paleotrópicos). As espécies com gavinhas derivadas de caules tendem a agarrarem, com sucesso, treliças de diâmetro maior do que as que possuem outros tipos de gavinhas, porém, todas as trepadeiras, exceto as trepadeiras de raiz, limitam-se a agarrar suportes consideravelmente estreitos.
A escassez de suportes adequados que alcancem desde a proximidade do solo até a copa é a principal limitação da maioria das plantas trepadeiras. A incapacidade de localizar e agarrar treliças é o destino da maioria dos caules de trepadeiras, em oposição às trepadeiras de raízes, raras entre as lianas tropicais. Na densa vegetação dos arredores da floresta, existe uma abundância de suportes em potencial, os quais ajudam a explicar por que as trepadeiras são tão abundantes nesses locais. A probabilidade de encontrar suportes aumenta consideravelmente pelos movimentos circulares induzidos pelo crescimento dos caules e gavinhas, denominados espirais de circunutação (ex. Baillaud 1962). Utilizando fotografia com lapso de tempo no ar parado, pesquisadores revelaram que as espirais de circunutação dos caules da trepadeira podem ter 50 cm de diâmetro e que as gavinhas podem circunutar quase o dobro da distância. Ainda mais surpreendente é o fato de que essas espirais aparentemente fiquem alongadas em direção a suportes em potencial (ex.: Tronchet 1945), aumentando ainda mais a probabilidade de encontrarem um apoio. Um fenômeno semelhante de forragem direcionada a suportes foi descrita pela subida das raízes de trepadeiras herbáceas (Strong & Ray 1975). Para aumentar a probabilidade de encontrarem um grande troco de árvore para subir, essas trepadeiras crescem pelo chão da floresta na direção da parte mais escura do horizonte, a qual geralmente é o tronco de uma grande árvore. Um possível mecanismo por trás desses comportamentos de forragem direcionada envolve respostas de crescimento a pequenas diferenças de concentrações de etileno próximos e distantes dos caules de outras plantas, porém esta hipótese está aguardando testes.
Quando uma trepadeira atinge o topo de seu hospedeiro, um crescimento adicional em altura exige a localização de um suporte mais alto e de diâmetro apropriado. Os brotos buscadores das trepadeiras, que emergem das copas das árvores do sub-bosque, freqüentemente são bastante óbvios. Se encontrarem um suporte adequado e conseguirem se fixar ao mesmo, seu progresso em direção ao dossel continuará. Embora os brotos buscadores de algumas lianas possam se estender até dois metros para cima do último suporte, se não encontrarem apoio, elas cairão e serão substituídas por outro broto (Putz 1984). Conhecer as capacidades das diferentes espécies para percorrer uma distância entre suportes é importante para prever quais trepadeiras provavelmente irão parar a caminho do dossel.
A maioria das trepadeiras que atingem o dossel, o fazem com a ajuda de uma sucessão de suportes mais altos. Uma exceção são as trepadeiras que sobem pelos caules de trepadeiras com caules mais estreitos já fixados ao dossel (Pinard & Putz 1998). As trepadeiras penduradas no dossel podem não mostrar sinais de sua ascensão em etapas, levando alguns observadores à conclusão errônea de que elas deslocaram-se sobre o dossel em suas árvores hospedeiras atuais (Foto 3). Embora isso talvez ocorra ocasionalmente, os efeitos deletérios das lianas sobre as árvores hospedeiras, bem como a desvantagem que as lianas de rápido crescimento enfrentam com árvores que crescem lentamente, diminuem a provável importância dessa estratégia de ascensão pelo dossel.
Quando se encontram no dossel, as trepadeiras geralmente crescem entre as copas das árvores (Caballé 1977, 1998). Estas conexões entre copas são muito importantes para os animais que não conseguem voar ou planar por grandes distâncias (veja abaixo) e também para aumentar a probabilidade de que essas árvores puxem as vizinhas quando caírem. Embora as trepadeiras que crescem entre as copas das árvores sejam restritas por suas habilidades de percorrer distâncias entre copas, muitas delas crescem em várias árvores de dossel e um indivíduo no Panamá, uma Entada monostachya com um caule de 51 centímetros, está conectado à copa de 49 árvores de dossel (Putz 1984). Apenas as palmeiras trepadeiras sem ramificação (ratãs) são completamente restritas à copa de uma única árvore hospedeira. Para elas, o desafio é manter-se na copa de seus hospedeiros quando seu caule cresce (Foto 4; Putz 1990).
Anatomia e Fisiologia do Caule das Trepadeiras
Embora em seção transversal os caules de algumas espécies de lianas sejam muito semelhantes a uma árvore, eles diferem por possuírem vasos de grande diâmetro e tecidos moles abundantes (parênquima) no xilema (Foto 5; Carlquist 1991). Ter vasos grandes é importante para as plantas com caules estreitos porque a taxa de fluxo pelos vasos do xilema aumenta com a quarta potência do raio; a capacidade de condução de xilema de lianas com caules ainda mais estreitos é, portanto, maior (Foto 6; Schenck 1892, Zimmermann, 1983, Ewers et al., 1991). Conseqüentemente, por área de seção transversal unitária, os caules das trepadeiras podem suportar hidraulicamente áreas totais de folhas mais largas do que outras árvores. De fato, uma liana com 10 cm de diâmetro pode apresentar a mesma área de folhas (ou massa foliar) de uma árvore cinco vezes maior (Putz 1983, Gerwing & Farias 2000). Esta diferença em alometria ajuda a explicar como nas florestas tropicais, onde as lianas contribuem para apenas 5% do total da biomassa acima do solo, as folhas de lianas podem constituir 40% da área foliar total da floresta (Hladik 1974, Schnitzer e Bongers 2002).
A abundância de tecidos moles nos caules das trepadeiras aumenta sua flexibilidade, as ajuda a evitar danos mecânicos e acelera a taxa de recuperação quando ocorrem danos (Holbrook e Putz 1991, Fisher e Ewers 1989). Caules dobrados e retorcidos de algumas trepadeiras reagem mais como cabos com vários cordões do que cilindros sólidos (Foto 7). Esta flexibilidade aumenta a probabilidade de sobrevivência quando caem com as árvores hospedeiras. Conseqüentemente, muitas das lianas que proliferam em espaços de quedas de árvores são botões das lianas que sobreviveram à queda. Os tecidos parenquimatosos, bem como as bandas e fios de floema encravados no xilema de algumas espécies de lianas devem apresentar outras conseqüências fisiológicas, porém parece-nos que ainda não há estudos sobre este assunto.
Efeitos das Trepadeiras sobre as Árvores e Florestas
Por exibirem suas folhas acima das folhas das árvores que lhes oferece suporte mecânico, as trepadeiras competem por luz de maneira eficaz. Além disso, em virtude do baixo investimento para engrossarem seus caules e ramos, as trepadeiras podem utilizar uma grande proporção de seus recursos para produzir folhas adicionais, bem como para reprodução. De modo contrário, as árvores carregadas com trepadeiras crescem mais lentamente e produzem menos sementes e frutos do que as árvores desprovidas dessa planta (Stevens 1987). Em virtude dos efeitos deletérios gerais sobre as árvores, os gestores florestais geralmente recomendam a remoção das trepadeiras, pelo menos as que crescem em futuras árvores de produção (ex.: Putz 1991).
O hábito de crescimento das trepadeiras também permite que sejam eficazes competidoras abaixo do solo por água e nutrientes. Em estudos experimentais onde as trepadeiras e árvores competiam em quatro situações (acima do solo, embaixo do solo, acima e embaixo do solo, não competiam), Dillenberg et al. (1993) constatou fortes efeitos das trepadeiras sobre as árvores em ambos os domínios. Um mecanismo deste impacto foi demonstrado numa floresta sazonal na Amazônia Boliviana por Diego Perez-Salicrup e Martin Barker (2000). Eles constataram que, após o corte das trepadeiras que cresciam em árvores de dossel, a pressão da água foi reduzida nas árvores anteriormente infestadas por trepadeiras. Uma redução pôde ser detectada até mesmo um dia após a poda. A constatação de que as trepadeiras estão entre as plantas com raízes mais profundas das florestas tropicais (Jackson et al. 1995, Tyree & Ewers 1996) sugere que algumas delas podem evitar tanto a competição com árvores como o estresse por falta de água por atingirem reservas mais profundas de água. Outras experiências (em preparação por Putz) revelaram que as trepadeiras geralmente colonizam talhões de solo ricos em nutrientes mais rapidamente e com menos investimento em biomassa radicular do que as árvores. Esta versatilidade em forragem de raízes pode ser explicada como outro benefício da dependência das trepadeiras sobre outras plantas para obterem suporte mecânico; as trepadeiras não precisam de árvores de raízes estruturais de maior diâmetro para se manterem na posição vertical.
Além de competirem tanto acima como abaixo do solo, as lianas podem causar danos mecânicos às árvores hospedeiras. Pequenos ramos e grandes caules de árvores podem ser mecanicamente rodeados por gavinhas e ramos entrelaçados, respectivamente. As lianas podem proliferar de tal maneira que os galhos das árvores hospedeiras se quebram por causa de seu peso. Em geral, várias espécies de lianas lenhosas densas, que exigem luminosidade, quebram as árvores hospedeiras, criando espaços em dosséis onde se proliferam (ex.: Acacia spp. na América Central e Celtis spp. na América do Sul). Considerando o lado positivo, sugere-se que, ao crescer entre as copas, as lianas ajudam a estabilizar as árvores (Smith 1973), mas as evidências são que as árvores infestadas por lianas de fato criam espaços maiores quando caem. Os fazendeiros que utilizam corte e queima conhecem muito bem este fenômeno e geralmente preferem cortar árvores grandemente infestadas por lianas, uma vez que cortar apenas uma delas pode também causar a queda de várias árvores interligadas.
A susceptibilidade às infestações por lianas e a capacidade de espalhas aquelas que colonizam suas copas variam conforme as espécies de árvores (Putz 1984b). Em virtude dos limites de diâmetro dos suportes que as lianas podem utilizar em sua ascensão ao dossel, as árvores de crescimento rápido tendem a evitar infestações com essas plantas, especialmente se espalharem-se rapidamente pelos ramos mais baixos. As palmeiras com caules espessos são particularmente imunes às lianas, porém as que conseguem chegar às coroas espalham-se com as folhas, nas quais estão fixadas. Pelo fato de criarem grandes espaços entre as copas quando batem nos vizinhos por causa do vento, as árvores com caules flexíveis podem escapar das lianas que tentam crescer de copa em copa ou espalhar aquelas que conseguirem transpor o espaço, pelo menos até que se tornem firmemente presas. As cascas lisas e as que apresentam grandes lascas também podem deter as lianas até um certo ponto, porém, dada a maneira como a maioria delas se fixa a seus suportes, este mecanismo não parece ser particularmente eficaz. Algumas árvores (ex.: Cecropica spp.) também se livram da colonização pelas trepadeiras por serem habitadas por formigas agressivas, que cortam e retiram pequenas trepadeiras que venham a crescer na árvore (Janzen 1969). Pelo fato de as árvores pioneiras normalmente apresentarem muitas dessas características para evitar e espalhar trepadeiras, elas são particularmente comuns em áreas altamente infestadas por essas plantas, onde as árvores que crescem mais lentamente são suprimidas por elas (Schnitzer et al. 2000).
As trepadeiras e lianas herbáceas geralmente exercem funções importantes durante a sucessão florestal após perturbações naturais e antropogênicas (Foto 8; Schnitzer & Carson 2001). A maioria das trepadeiras exige luminosidade (Hegarty & Caballé 1991) e, portanto, beneficia-se de perturbações, as quais são colonizadas com sementes espalhadas e inativas enterradas, mudas anteriormente suprimidas e livre proliferação vegetativa das trepadeiras que caem com as árvores que abrem espaços. Também existem descrições de que as lianas crescem pelo sub-bosque da floresta, essencialmente formando forragens para espaços de dosséis e outras áreas de alta intensidade luminosa (Peñalosa 1984). A proliferação das lianas próxima ou nos arredores das florestas também é uma das principais causas de deterioração estrutural em florestas fragmentadas (Laurance et al. 2001).
Controle das Trepadeiras
As lianas representam um grande aborrecimento para os gestores florestais nos locais onde são abundantes. As árvores para culturas não são apenas suprimidas e danificadas pelas lianas para as quais fornecem suporte, mas as operações florestais também se tornam mais difíceis e perigosas. Os cortadores de árvores estão particularmente em perigo quando árvores infestadas com lianas puxam as vizinhas, geralmente caindo em cima do trabalhador. Por esses motivos, o corte da liana antes de extração da madeira é um tratamento da silvicultura comumente prescrito para reduzir o dano às madeiras e à floresta residual, aumentando, assim, a segurança dos trabalhadores (Putz 1991, Vidal et al. 1997, Gerwing 2001, Schnitzer et al. 2004).
Esta prática também diminui problemas com infestações por lianas após a derrubada (Gerwing & Uhl 2002). Este efeito benéfico para a silvicultura deve-se principalmente à remoção dos caules caídos que, onde as lianas não foram cortadas, contribuem para a maioria dos caules que suprime a regeneração em espaços de derrubadas (Alvira et al. 2004). Embora o efeito do corte das lianas sobre os ambientes luminosos do sub-bosque não tenha sido bem estudado, parece provável que a abertura do dossel resultante da queda das folhas de lianas aumenta o vigor das árvores no sub-bosque que formará a próxima cultura de madeira (Pérez-Salicrup 2001).
Função das Trepadeiras: Resumo
Embora as trepadeiras possam ser um grande problema nas florestas controladas para a produção de madeira, suas funções benéficas nos ecossistemas florestais não devem ser ignoradas. Por exemplo, as lianas proporcionam importantes caminhos entre as copas para muitos animais que vivem nos dosséis e também são importantes engenheiros do ecossistema (Foto 9). Sem essas conexões de trepadeiras, movimentar-se de um árvore para outra exigiria que os animais descessem até o chão, onde estariam muito suscetíveis à predação (Emmons & Gentry 1983, Putz et al. 2001). As abundantes folhas, flores e frutos das lianas também representam importantes recursos alimentares para animais, contribuindo substancialmente para os ciclos biogeoquímicos. Embora muitas lianas tenham sementes pequenas dispersas pelo vento, algumas produzem deliciosos frutos, os quais são importantes para vários animais da floresta. Várias lianas de dosséis também produzem flores em abundância, o que as torna um componente importante para as comunidades polinizadoras. Mais espécies de lianas são polinizadas por grandes abelhas e besouros do que espécies de árvores. Pelo fato de as trepadeiras serem favorecidas pelas perturbações florestais, sendo mais comuns e diversificadas em ambientes mais quentes, as perturbações induzidas por humanos e o aquecimento global constituem um potencial para promover sua abundância. Talvez essas modificações ambientais já sejam responsáveis pelo aumento registrado das taxas de crescimento e abundância de lianas de grande diâmetro nas florestas tropicais (Phillips et al. 2002), porém são necessários mais dados para avaliar esta tendência e sua causa proposta.
Referências
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Autor:
Fotografia: Uvas em uma vinha de Temecula, Califórnia, por Chi Le (EUA).
A citação adequada é:
Putz FE 2006 Ecologia das Trepadeiras. ECOLOGIA.INFO #24
Caso você tenha conhecimento sobre publicações científicas importantes sobre a ecologia das trepadeiras que tenham sido omitidas nesse artigo ou queira dar sugestões para melhorá-lo, entre em contato com o autor por e-mail:
Notícia da Ciência
Gosto de postar coisas que encontro na net e acho interesante, e não tive como pedir a permissão de quem lançou essa notícia, mas espero que entendam que não fui eu quem a escreveu.
Tirado do site http://colunas.g1.com.br/espiral/Ardi: a descoberta mais impressionante de 2009

Qual seria a aparência do ancestral mais antigo do homem? Chimpanzé, a maioria diria. Pois bem, parece que nosso ancestral não era bem assim…
Ardipithecus ramidus (ou “Ardi”, para os íntimos) é considerado por muitos cientistas o mais antigo fóssil hominídeo já encontrado, datado de 4,4 milhões de anos atrás! Seu esqueleto foi exposto ao mundo em outubro, numa edição especial da prestigiosa revista cientifica Science e está sendo considerada a descoberta do ano. Tim White, da Universidade de Berkley, e 47 outros pesquisadores demoraram mais de 15 anos para publicar esses achados. Mas por que Ardi é tão especial?
Ardi é um dos pouquíssimos esqueletos bem conservados de hominídeos. Cientistas acreditam que Ardi pode ser um dos nossos ancestrais mais antigos, após nossa divergência com chimpanzés.

Acredita-se que hominídeos e chimpanzés tenham divergido há aproximadamente 7 milhões de anos. Até a descoberta do esqueleto de Ardi, muitos paleontólogos acreditavam que nosso ancestral comum com chimpanzés seria mais parecido com chimpanzé do que com humano (análises de DNA indicam que atualmente o nosso parente vivo mais próximo é o chimpanzé, pois tem mais de 98% de similaridade como nosso genoma).
Realmente Ardi não se parece nada com Lucy, o ancestral humano mais antigo e mais estudado até então, com 3,2 milhões de anos. A surpresa é que Ardi também não se parece com chimpanzés. Ardi está mais para um tipo de hibrido com características bastante peculiares… Eu explico, mas antes vamos discutir um pouco sobre a história (ou melhor, pré-história) dos hominídeos e sua importância na árvore evolutiva humana.
Hominídeos são nossos primeiros antepassados bípedes. Repare que, para ser caracterizado um hominídeo, o esqueleto fóssil tem que demonstrar habilidade de caminhar sem o auxílio das mãos. Chimpanzés não são capazes de andar por longas distâncias em duas pernas. Na verdade, nenhuma outra espécie de primata é bípede a maior parte do tempo como nós. Evidências fósseis e rastros de pegadas preservadas indicam que o bipedalismo ocorreu assim que a linhagem humana divergiu dos antigos macacos africanos.
Alguns cientistas acreditam que o bipedalismo foi essencial para o desenvolvimento da cultura humana, pois liberou nossas mãos para carregar grandes quantidades de comida além de possibilitar a manipulação de ferramentas. Análises do esqueleto fossilizado de Ardi indicam que sua bacia tem capacidade de equilíbrio para caminhar com 2 pernas e há evidências de que a posição de sua cabeça era ereta e não curvada para frente, como nos chimpanzés.
Outra evidência do bipedalismo em Ardi veio da reconstituição dos ossos da mão. Concluiu-se que a estrutura dos ossos é bem mais frágil do que o observado em chimpanzés, que têm adaptações específicas para subir em árvores e caminhar apoiados nos ossos do metatarso. Essa característica pode indicar que as adaptações na mão e pulso, desenvolvidas por chimpanzés, provavelmente ocorreram após a divergência com humanos.
Em que o Ardi se diferencia dos humanos, então? Ardi tem o polegar opositor aos dedos da mão, como humanos modernos e como Lucy, mas também possui o polegar opositor aos dedos do pé. Essa característica facilita a caminhada e movimentação em ambientes como galhos de árvores. A presença do polegar opositor no pé não é observada em humanos modernos e nunca tinha sido observada em nenhum outro hominídeos até então.
Ainda que não totalmente confirmada, essa observação modifica a nossa visão do ambiente em que os antepassados dos humanos viviam. De acordo com C. Owen Lovejoy, outro autor envolvido no projeto, os primeiros ancestrais dos humanos não moravam nas Savanas como anteriormente previsto, mas sim em florestas.
Em resumo, as interpretações do grupo de Tim White levantam muitas questões interessantes sobre nossos ancestrais, mas principalmente nos fazem rever a forma de pensar sobre a evolução dos primeiros hominídeos. Aparentemente, não adianta simplesmente olhar características dos chimpanzés modernos e assumir relações evolutivas entre nós. Os chimpanzés também evoluíram 6 a 7 milhões de anos até os dias de hoje. Mais recursos têm que ser investidos para estudar a árvore evolutiva dos chimpanzés – até hoje poucos fosseis foram encontrados.
Gosto de postar coisas que encontro na net e acho interesante, e não tive como pedir a permissão de quem lançou essa notícia, mas espero que entendam que não fui eu quem a escreveu.
Ardi: a descoberta mais impressionante de 2009

Qual seria a aparência do ancestral mais antigo do homem? Chimpanzé, a maioria diria. Pois bem, parece que nosso ancestral não era bem assim…
Ardipithecus ramidus (ou “Ardi”, para os íntimos) é considerado por muitos cientistas o mais antigo fóssil hominídeo já encontrado, datado de 4,4 milhões de anos atrás! Seu esqueleto foi exposto ao mundo em outubro, numa edição especial da prestigiosa revista cientifica Science e está sendo considerada a descoberta do ano. Tim White, da Universidade de Berkley, e 47 outros pesquisadores demoraram mais de 15 anos para publicar esses achados. Mas por que Ardi é tão especial?
Ardi é um dos pouquíssimos esqueletos bem conservados de hominídeos. Cientistas acreditam que Ardi pode ser um dos nossos ancestrais mais antigos, após nossa divergência com chimpanzés.

Acredita-se que hominídeos e chimpanzés tenham divergido há aproximadamente 7 milhões de anos. Até a descoberta do esqueleto de Ardi, muitos paleontólogos acreditavam que nosso ancestral comum com chimpanzés seria mais parecido com chimpanzé do que com humano (análises de DNA indicam que atualmente o nosso parente vivo mais próximo é o chimpanzé, pois tem mais de 98% de similaridade como nosso genoma).
Realmente Ardi não se parece nada com Lucy, o ancestral humano mais antigo e mais estudado até então, com 3,2 milhões de anos. A surpresa é que Ardi também não se parece com chimpanzés. Ardi está mais para um tipo de hibrido com características bastante peculiares… Eu explico, mas antes vamos discutir um pouco sobre a história (ou melhor, pré-história) dos hominídeos e sua importância na árvore evolutiva humana.
Hominídeos são nossos primeiros antepassados bípedes. Repare que, para ser caracterizado um hominídeo, o esqueleto fóssil tem que demonstrar habilidade de caminhar sem o auxílio das mãos. Chimpanzés não são capazes de andar por longas distâncias em duas pernas. Na verdade, nenhuma outra espécie de primata é bípede a maior parte do tempo como nós. Evidências fósseis e rastros de pegadas preservadas indicam que o bipedalismo ocorreu assim que a linhagem humana divergiu dos antigos macacos africanos.
Alguns cientistas acreditam que o bipedalismo foi essencial para o desenvolvimento da cultura humana, pois liberou nossas mãos para carregar grandes quantidades de comida além de possibilitar a manipulação de ferramentas. Análises do esqueleto fossilizado de Ardi indicam que sua bacia tem capacidade de equilíbrio para caminhar com 2 pernas e há evidências de que a posição de sua cabeça era ereta e não curvada para frente, como nos chimpanzés.
Outra evidência do bipedalismo em Ardi veio da reconstituição dos ossos da mão. Concluiu-se que a estrutura dos ossos é bem mais frágil do que o observado em chimpanzés, que têm adaptações específicas para subir em árvores e caminhar apoiados nos ossos do metatarso. Essa característica pode indicar que as adaptações na mão e pulso, desenvolvidas por chimpanzés, provavelmente ocorreram após a divergência com humanos.
Em que o Ardi se diferencia dos humanos, então? Ardi tem o polegar opositor aos dedos da mão, como humanos modernos e como Lucy, mas também possui o polegar opositor aos dedos do pé. Essa característica facilita a caminhada e movimentação em ambientes como galhos de árvores. A presença do polegar opositor no pé não é observada em humanos modernos e nunca tinha sido observada em nenhum outro hominídeos até então.
Ainda que não totalmente confirmada, essa observação modifica a nossa visão do ambiente em que os antepassados dos humanos viviam. De acordo com C. Owen Lovejoy, outro autor envolvido no projeto, os primeiros ancestrais dos humanos não moravam nas Savanas como anteriormente previsto, mas sim em florestas.
Em resumo, as interpretações do grupo de Tim White levantam muitas questões interessantes sobre nossos ancestrais, mas principalmente nos fazem rever a forma de pensar sobre a evolução dos primeiros hominídeos. Aparentemente, não adianta simplesmente olhar características dos chimpanzés modernos e assumir relações evolutivas entre nós. Os chimpanzés também evoluíram 6 a 7 milhões de anos até os dias de hoje. Mais recursos têm que ser investidos para estudar a árvore evolutiva dos chimpanzés – até hoje poucos fosseis foram encontrados.
Notícia da Ciência
Gosto de postar coisas que encontro na net e acho interesante, e não tive como pedir a permissão de quem lançou essa notícia, mas espero que entendam que não fui eu quem a escreveu.
Tirado do site http://colunas.g1.com.br/espiral/Sufoco no busão? Culpa da amígdala cerebral

Esqueça as fantasias da Dama do Lotação. Para a maioria das pessoas, o sufoco do coletivo na hora do rush não é nada agradável. Muito menos conversar com aquele colega que insiste em se aproximar tanto, a tal ponto de você sentir o bafo quente exalando da garganta.
Você anda pra trás, motivado por uma espécie de repulsa. Ele então anda pra frente, reconstituindo a distância original. A luta pelo espaço pessoal invadido continua até que você se pega encurralado por uma parede.
Existe um espaço, individual, que quando ultrapassado causa um certo desconforto. Em tese, você não briga pelo espaço, mas procura obtê-lo de forma pacífica (entre os animais ditos mais sociais).
Esse comportamento social está sendo associado a uma estrutura cerebral chamada amígdala.
Tradicionalmente, a amígdala foi associada a respostas ao medo. Como o medo é uma das reações mais primitivas entre as espécies, acreditava-se que fosse um centro que estimulasse uma reação impulsiva de escapada quando confrontamos uma situação de perigo iminente. Esses estudos, realizados em sua maioria em animais, eram sempre extrapolados como verdadeiros para humanos. Mas a história não é bem assim.
Num trabalho recente, publicado na revista científica “Nature Neuroscience” (Kennedy e colegas, 2009), os autores relatam o estudo de um indivíduo com um raro dano bilateral na amígdala. Esses casos isolados são extremamente importantes para se estudar a função causal de algumas estruturas cerebrais em pessoas. Obviamente, deve-se tomar cuidado com a interpretação dos resultados, pois sabemos muito pouco sobre a influência da variação individual do cérebro em humanos.
Ao trabalhar com esse indivíduo, os autores descobriram que a amígdala está envolvida na regulação da distância social. A amígdala inicia uma resposta vagarosa, mas explícita, sobre a invasão desse espaço interpessoal. Esses dados contrastam com os resultados obtidos com lesões em modelos animais, que sugeriam uma resposta rápida independente do contexto ambiental.
A maioria das pessoas regula a distância entre elas e os outros baseando-se em sensações de conforto pessoal e sentimentos pessoais. O sentimento de estar espremido no metrô entre desconhecidos causa uma sensação de repulsa e promove o reajuste imediato dessa distância pessoal. Pois bem, numa série de experimentos, desenhados de forma elegante e simples, o grupo mostrou que o indivíduo com o dano bilateral na amígdala não revelou a presença dessa barreira invisível que regula a distância interpessoal e nem reagiu ao ter seu espaço invadido. Esses dados sugerem fortemente que a amígdala é crucial para o sentimento de espaço pessoal.
Nos experimentos, o indivíduo lesado teve de ficar próximo a um desconhecido e classificar as diversas distâncias entre plenamente confortável e extremamente não confortável. O indivíduo preferiu distâncias bem mais curtas do que a média das pessoas sem a lesão. Além disso classificou como confortável, mesmo estando cara a cara com um estranho. Esse efeito foi consistente em diversas situações experimentais, onde o grau de familiaridade com o estranho, sexo, presença de contato com os olhos, etc., foram variados.
Interessante notar que o indivíduo relatou ter plena consciência dessa distância pessoal e que procurava sempre ajustá-la no dia a dia, baseando-se em princípios sociais. Isso sugere que a lesão não comprometeu funções cognitivas ou racionais – o indivíduo simplesmente não sentia o desconforto nas distâncias em que a maioria das pessoas sentia.
Baseando-se nisso, foi testado o grau de atividade da amígdala em humanos usando-se ferramentas de ressonância magnética. Os dados mostraram claramente que as pessoas tinham a amígdala ativada no momento em que estranhos invadiam o espaço pessoal. Esses experimentos sugerem que, em humanos, a amígdala funciona como um detector da violação do espaço pessoal.
A distância que mantemos entre nós e as pessoas com quem interagimos depende muito do contexto social e da relação prévia entre as pessoas. Isso varia muito entre as diversas culturas humanas. Como essas regras sociais são aprendidas culturalmente, a amígdala tem de se adaptar a respostas específicas que surgem em diferentes contextos durante o desenvolvimento humano. Pode-se então dizer que quanto mais contato com a diversidade humana durante a infância, melhor será sua adaptação e respeito entras diversas culturas.
O que os estudos estão indicando é que a função da amígdala parece ser muito mais importante do que fora anteriormente atribuída. Essa estrutura funcionaria como um “hub” cerebral, conectando diversas redes neuronais envolvidas com o aprendizado social. A socialização seria responsável por fazer um ajuste fino na resposta da amígdala a situações de invasão do espaço pessoal e alheio.
O refinamento desse processo em humanos parece exceder o que acontece em outras espécies com comportamentos sociais. Esse mecanismo cerebral influencia, literalmente, os graus de separação entre nós e o mundo social que nos cerca. Portanto, sinta-se mais humano na próxima vez que entrar num busão lotado.
